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A Correlação Entre o Uso de Maconha e a Esquizofrenia

A Correlação Entre o Uso de Maconha e a Esquizofrenia

Publicado em: 25/05/2012 - 09:44

O uso de maconha (Cannabis Sativa) iniciou-se na Ásia e é conhecido pela humanidade há aproximadamente seis mil anos, segundo registros históricos e arqueológicos.

Durante a história a maconha também foi utilizada com fins medicinais, para o tratamento de uma série de doenças. Contudo seu uso foi praticamente abolido da medicina devido a novas medicações que surgiram. Hoje ainda podemos observar tentativas de utilizá-la com o propósito medicinal, assunto o qual gera polêmica entre os especialistas.

Usar a maconha pode trazer muitos riscos à saúde e poucos benefícios, aponta estudo realizado pelo Institute of Medicine, que teve como autores o Dr. Stanley J. Watson, o Dr. John A. Benson e a Dra. Janet E. Joy.²

Na década de 1960 o consumo de maconha aumentou no ocidente, incluindo-se em novos grupos sociais, se tornando hoje a droga mais consumida no Brasil segundo pesquisa realizada por Carlini E.A.4

É importante ressaltar que a maconha costuma ser a primeira droga ilícita usada pelos dependentes de outras substâncias psicoativas, este modelo de escalada: “da maconha a outras drogas”, ganha fundamento dentro da organização social da distribuição dos psicoativos, geralmente onde se encontra a maconha podemos encontrar outras substâncias, o que favoreceria ao usuário experimentá-las. Alguns indivíduos tem uma predisposição maior a buscar alterações no estado de consciência, os grupos em que o indivíduo está inserido também favorece o uso de diferentes substâncias, por tanto o uso de maconha se observado socialmente pode levar ao uso de outras drogas ilícitas.

A maconha tem como um de seus princípios ativos o THC  (    9  tetra-hidrocanabinol) substância a qual é captada pelo cérebro por estruturas chamadas de neuroreceptores de canabinóides. Quando o THC é captado, os efeitos da maconha iniciam no organismo, ela como um agente perturbador do sistema nervoso central, leva o indivíduo a se sentir relaxado, a sentir uma leve euforia, ela intensifica experiências sensoriais e altera a percepção sensorial (desorientação de tempo e espaço), podendo provocar até mesmo quadros psicóticos temporários.5

Hoje no meio científico existe grande debate em relação ao uso da maconha e seu potencial de desenvolver a esquizofrenia em indivíduos sadios, irei resumidamente classificar a esquizofrenia, para me basear mais adiante em algumas pesquisas que estudaram esta correlação.

A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico que acomete em sua maioria jovens, transtorno o qual pode se tornar crônico.3 Esta doença é caracterizada por delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento totalmente desorganizado, entre outros critérios definidos pelo DSM IV, manual utilizado para o diagnóstico de doenças.¹

Na esquizofrenia a reincidência dos sintomas é muito frequente, quando associado ao consumo de substâncias psicoativas, associação muito observada em pacientes com este transtorno. Também podemos notar maior probabilidade de recaídas, episódios de violência, pouca adesão ao tratamento, e ideações suicidas. A internação indicada nestes casos, devido a essa série de fatores, é de longa duração.5

O diagnóstico pode ser feito apenas por um psiquiatra, a doença não pode ser diagnosticada enquanto o indivíduo faz uso de substâncias psicoativas, uma vez que as substâncias quando administradas produzem quadros semelhantes como: psicoses, delírios e em alguns casos alucinações.5

Segundo Lehman, Myers e Corty (1989), os transtornos psiquiátricos podem ser secundários ao transtorno de uso de substâncias psicoativas e segundo Mueser o transtorno por uso dessas substâncias pode levar o indivíduo a desenvolver a esquizofrenia.3

A maconha é a droga mais utilizada na população de esquizofrênicos, e está relacionada ao desenvolvimento desta doença, em indivíduos que antes de seu consumo não apresentavam sintomas psicóticos. A chance de um usuário de maconha desenvolver esquizofrenia é de 2,8 vezes maior que em alguém que não usa a substância. E 42% dos indivíduos esquizofrênicos fizeram uso de maconha pelo menos uma vez na vida. O uso de maconha na adolescência aumenta ainda mais os riscos do desenvolvimento da doença, devido a maior densidade dos receptores dessa substância no cérebro.5

Segundo estudo realizado por Oliveira Junior, HP, 61,2% dos participantes do estudo, que faziam o uso de maconha, apresentavam um transtorno psiquiátrico, no qual 8,8% eram esquizofrênicos. Porcentagem mais elevada se comparada com a população em geral.  É relatado também um grau maior de dependência pela maconha nos pacientes esquizofrênicos. Nos participantes com este transtorno percebemos que 42,9% apresentam pouca motivação para o tratamento.6

De acordo com o que vem sendo pesquisado a maconha pode sim aumentar as chances de um indivíduo saudável desenvolver a esquizofrenia, enquanto em populações que apresentam esta doença como fator primário, ou seja,  sintomas esquizofrênicos antes do primeiro uso de maconha, mais tarde a dependência por esta droga é frequente. Conhecemos também diversas doenças pulmonares que estão relacionadas ao fumo como o câncer, doenças as quais tem sua probabilidade de ocorrência elevada com o uso contínuo da substância.

Portanto conclui-se que não há níveis seguros para o consumo de maconha. Para o tratamento de insônia, falta de apetite, entre outras dificuldades, as quais os usuários acreditam que estão tratando com o consumo da droga, deve-se procurar uma ajuda médica, encontramos remédios tão eficazes quanto à maconha e muito mais seguros.

Para uma mudança em nossa sociedade devemos realizar um trabalho de conscientização, começando por nossa casa, se possível expandindo à nossa comunidade, desta forma podemos atingir o país e fazer com que o índice de usuários de substâncias psicoativas diminua e consequentemente os problemas relacionados ao consumo.

Artigo elaborado por: Magri, João Henrique. Estudante do 1° semestre de Psicologia na Universidade de Guarulhos. Terapeuta Holístico na Comunidade Terapêutica Cantareira, Mairiporã, SP, 2012.


Bibliografia:
1 - AMERICAN PSYCHIATRI ASSOCIATION: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition. Washington, DC, American Psychiatry Association, 1994.
2 - ARCH GEN PSYCHIATRI. 57:547-552 – Vol.57 No. 6, june 2000.
3 - BOSCOLO, MM. Uso frequente de álcool, maconha e cocaína entre pacientes esquizofrênicos: estudo caso-controle. 2004. 242 f. Tese (Doutorado em Ciências Médicas) -Faculdade de ciências médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, 2004.
4 - CARLINI, EA; GALDUROZ, JCE; NOTO, AR; NAPPO, SA. II Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil: estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país. São Paulo: Páginas & Letras; 2005.
5 - DIEHL, A; CORDEIRO, CC; LARANJEIRA, R. Dependência Química: prevenção, tratamento e políticas públicas, Porto Alegre, RS, Artmed, 2011. 528p. 
6 - OLIVEIRA JÚNIOR, HP. Avaliação do perfil de comorbidades, gravidade da dependência e motivação para o tratamento em uma amostra de usuários de maconha que procuram o tratamento. 126 f. Tese (Mestrado em Ciências) – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2010.

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