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Congelamento Emocional

Congelamento Emocional

Publicado em: 04/11/2011 - 11:35

Hoje a população mundial é de 7 bilhões de pessoas, pessoas com os mais diversos hábitos, credos e interesses. Dentro dos hábitos encontramos um extremamente peculiar, o uso de substâncias psicoativas, ou como chamadas popularmente “drogas”. Hoje no mundo 185 milhões de pessoas fazem uso de drogas ilegais, segundo relatório da ONU.

Quando falamos em um usuário de drogas, estamos falando de comportamentos. O uso de drogas pode estar relacionado a uma diversidade de dificuldades e inabilidades. Existem algumas classificações para o uso de drogas: o uso pode ser esporádico ou leve; uso abusivo/ nocivo no qual o usuário tem uma perda gradativa em seu relacionamento interpessoal, maior envolvimento com atividades ilegais, episódios de uso que começam a ser mais freqüente entre outras complicações; ou ser caracterizado como dependência, as pessoas que apresentam três ou mais desses itens podem ser consideradas um dependente: tolerância ao uso de drogas; crises de abstinência; gastar boa parte do tempo para ter acesso à droga ou para recuperar-se de seu efeito; reduzir ou interromper atividades importantes por causa da droga; usos mais freqüentes e por mais tempo do que o planejado; esforços fracassados para tentar reduzir ou controlar o uso; continuar a usar apesar dos problemas físicos e psicológicos causados ou exacerbados pela droga, para maiores esclarecimentos consultar o CID 10.

Os dependentes de drogas têm como característica comportamentos inadequados e um sistema de crenças distorcidas, como por exemplo: “se eu usar irei dormir melhor”, “terei um empenho mais efetivo em meu trabalho”, entre muitas outras crenças disfuncionais que podem existir.

Infindáveis temas surgem quando o assunto é a dependência química, no entanto, o objetivo deste artigo é tratar do “congelamento emocional”, problema comum entre os dependentes químicos. Segundo a psicanalista Tatiana Ades, o “congelamento emocional” surge de uma obsessão muito forte por algo, mesmo quando ocorrem complicações clínicas ou perdas na vida da pessoa Ela não abandona o seu objeto obsessivo, a pessoa tem um forte sentimento de incapacidade.

No caso do dependente químico, apesar de a droga estar lhe trazendo prejuízos, estar causando problemas no seu relacionamento interpessoal e agravantes clínicos, ele não abandona a droga, e a usa em um ciclo ritualístico e repetitivo como uma forma de amenizar a própria dor e problemas que a droga lhe traz.

O “congelamento emocional” ocorre quando o dependente químico não se preocupa mais com as pessoas que ainda lhe auxiliam, na maioria dos casos seus familiares. O seu principal e muitas vezes único objetivo é fazer o uso e conseguir formas para realizar esta necessidade, desta forma ele desconsidera as pessoas que o rodeiam, e deixa de sentir inúmeros sentimentos, entre eles a piedade.

A ausência de sentimentos se torna uma forma do dependente químico se defender.

Freud criou uma teoria chamada mecanismos de defesa, dentro desses mecanismos, encontramos diversas formas para mascarar os problemas que encontramos em nossa vida, e para proteger nosso Ego. A ausência de sentimentos que o dependente químico deixa de sentir enquanto está no uso contínuo é uma maneira de se proteger, de não permitir ser ferido por suas ações, o recalque e a negação da realidade são mecanismos de defesa apresentados por Freud, eles são uma forma da pessoa se proteger.

Quando o dependente químico passa por um tratamento e ingressa em um processo de recuperação ele começa a ver o quanto ele feriu as pessoas que estavam ao seu redor, se não houver um suporte psicológico nesta fase, um seguimento do tratamento, como a freqüência em salas de A.A e N.A, consulta psicológica freqüente, e em alguns casos consultas psiquiátricas. Caso o dependente químico não siga estas diretrizes ele pode vir a ter uma recaída, a qual ocorre devido ao mesmo não conseguir lidar com os sentimentos que são experimentados quando se está sem a droga. O uso de substâncias psicoativas pode ser uma forma de o dependente químico aliviar suas angústias e não vivenciar a realidade muitas vezes dolorosa.

O congelamento emocional tem como característica a falta de empatia com o próximo, o uso de drogas se torna o único objetivo, o que as pessoas sentem, e de que forma elas são feridas por causa do uso de drogas, não tem importância. O contato com a abstinência é uma forma de sentir o que as pessoas estavam sentindo, e a recaída é uma forma de aliviar este sentimento.

(M.E é uma mulher de 32 anos, usou drogas (especificamente o “crack”) durante 15 anos, durante este período de uso teve três filhos, ela diz que durante o seu uso de drogas, não estava com seus filhos, existia apenas a sua presença, mas o cuidado, o carinho eram fatores ausentes. “Vivia usando e para usar”. Em 2009 M.E foi internada e a partir disso conseguiu se manter limpa com a ajuda do grupo de narcóticos anônimos, hoje em recuperação ela diz: “Acordei com 32 anos e três filhos para criar” hoje sim ela dá atenção aos seus filhos, os leva para passear, e lhes oferece amor e cuidado.)

(D.C é um rapaz de 23 anos que fez uso de drogas durante 10 anos de sua vida, após um tratamento na Comunidade Terapêutica Cantareira ele voltou a ter controle sobre sua vida, seu relacionamento interpessoal foi retomado, e hoje consegue ter um relacionamento estável com sua família e com a sociedade, segue o depoimento dele: “Enquanto eu estava em minha adicção ativa, meus pensamentos, e meu objetivo eram apenas relacionados a como conseguir usar, isto ocorria sempre com manipulações e chantagens emocionais com meus familiares. Meu comportamento egocêntrico tornou-se presente em todos os momentos durante minha ativa, não queria saber de ninguém apenas de como satisfazer minhas vontades. Não existiam sentimentos sinceros, honestos, eram apenas mentiras e enganações com minha família e principalmente comigo mesmo. Criei diversos personagens, para poder ser aceito, com estes personagens eu tinha certa proteção, vestia minha máscara e saia manipulando Deus e o mundo, para conseguir o que queria, para ser aceito em grupos e lugares, enfim meu uso de drogas foi a forma que encontrei para ser aceito.

Os meus sentimentos e emoções ficaram estagnados, ocorreu um congelamento de minhas emoções, não ligava mais para ninguém nem para mim, o verdadeiro D.C havia sumido e o personagem havia assumido o controle. Assim foi durante 10 anos de minha vida, até que um dia fui internado e hoje vivo em recuperação.”)

 

Com estes testemunhos podemos ver que enquanto o dependente químico está sob o efeito de drogas, a ausência de sentimentos por seus entes queridos é algo visível, não existe o sentimento de compaixão e o amor não é expresso.

Temos que enxergar a dura realidade que vivemos hoje no Brasil, e no mundo. A epidemia do “crack” tem sido alarmante, cada vez mais vemos pessoas em estado deplorável, com o único objetivo de usar drogas. Enquanto nosso País não fizer um programa de prevenção primária eficaz, nas escolas e na comunidade este problema irá se agravar mais e mais. Nós enquanto sociedade, devemos lutar para salvar nossos jovens, pais, irmãos e amigos. Devemos reivindicar por uma política sobre drogas participativa que vá às ruas, que construa programas de reabilitação eficazes.

O dependente químico quando entra em um processo de recuperação volta a retomar sua vida.

O tratamento tem como objetivo fornecer ao dependente químico uma qualidade de vida. Entendemos como uma prática saudável para quem está em recuperação à busca por espiritualidade, por uma religião, o contato consciente com Deus, com um poder superior, esta é uma maneira de o dependente químico resgatar seus valores.

A identificação dos sentimentos é o primeiro passo para a pessoa começar a ter empatia com seu próximo. Os grupos de auto-ajuda como narcóticos anônimos e alcoolistas anônimos tem papel fundamental no processo de autoconhecimento, é através da espiritualidade e destas reuniões em grupos anônimos que o dependente químico resgata seus valores e volta a dar mais valor às pessoas que o rodeiam. 

Estar em recuperação é um processo de constante mudança, enquanto o dependente não compreender que é necessária a organização de todas as áreas de sua vida ele não obterá qualidade de vida, a partir da organização e do envolvimento com sua recuperação, o qual seria a presença em reuniões de grupos anônimos, participação de reuniões de espiritualidade, prática religiosa, consultas freqüentes com psicólogo e o monitoramento de seu comportamento, o indivíduo crescerá como pessoa, irá agregar valores à sua vida, e conseguirá superar as dificuldades emocionais que o uso de drogas proporcionou, como o “congelamento emocional”.

“POR JOÃO HENRIQUE MAGRI – CRT: 46.544, Terapeuta na Clínica Terapêutica Cantareira”

 

Bibliografias:

  1. Depoimento do Casagrande no domingão do Faustão http://domingaodofaustao.globo.com/platb/programa/2011/07/agora-no-domingao-casagrande-fala-da-sua-volta-por-cima/
  2. Mecanismos de defesa http://fundamentosfreud.vilabol.uol.com.br/mecanismosdedefesa.html
  3. Entrevista com Dr. Drauzio Varella – Uso nocivo de álcool http://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/alcoolismo/uso-nocivo-do-alcool/
  4. CID10 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.

Matéria por Tatiane Ades http://vidaintegral.com.br/noticias.php?noticiaid=1311

Se você possui problemas com álcool ou drogas, entre em contato conosco, indicamos o melhor tratamento:

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    Tratamento de Alcoolismo

    No tratamento de alcoolismo, é primordial estabilizar o quadro clínico do dependente o mais rápido possível a méritos de evitar complicações...

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    Tratamento de Curta Duração

    É compreendido tratamento de curta durção o tratamento em até cinco meses.Esse período é suficiente para desintoxicação, conscientização...

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    Pós Tratamento

    Em alguns casos é indicado o pós tratamento para dependentes ter obtido alta terapêutica de uma internação e/ou para dependentes...

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    Internação Involuntária

    A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médicos devidamente registrada no Conselho Reginal de Medicina...

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